quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Paraíso



O dia amanhece escutando música.
Ele mal conseguiu dormir, mesmo assim
acorda renovado, como nunca antes.
Ela finge que não dá bola, mas deixa
escapar o riso que não conseguiu
disfarçar quando ele chegou perto.
Eles se protegem, mas se denunciam.
Mas não é o tipo de denuncia que
condena ou aprisiona, ao contrário:
liberta. Se ela sente o mesmo, ainda é
uma dúvida, ele calcula. Alguns podem
dizer, mas será dúvida. E mais sincero
assim: na incerteza. Eles nunca irão
adivinhar. Ele pode lhe dizer algo em um
mometo-qualquer-semi-planejado, ela
percebe. Mas não liga se não disser
nada, contenta-se com a espera.
Eles consentem. Os minutos não
passam, o filme que muda de cena.
Ela volta nos melhores momentos:
a canção. A vida não acaba, apenas
a história. O telespectador não cansa de repetir.








Se eu pudesse escolher para onde ir depois
da morte, me transformaria em uma trilha
sonora, me enviaria para o cinema, num
destes filmes juvenis, onde a conquista
é a maior preocupação da existência, a
felicidade é besta, a repetição agrada,
o choro é mais belo do que triste, os
personagens permanecem jovens para
sempre. E se um por algum motivo, um
dia, por um incidente, sentisse que a
história acabou, simplesmente voltaria
para o ínicio, e faria tudo acontecer
novamente. O paraíso é um eterno filme
de paixão adolescente.

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